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Golpistas utilizam nomes de grandes marcas em falsas ofertas de empréstimos; saiba como identificar

Golpistas utilizam nomes de grandes marcas em falsas ofertas de empréstimos; saiba como identificar
Fraudes podem simular créditos oferecidos por empresas de varejo, telefonia e delivery. Especialistas recomendam o que fazer para se proteger e depois de cair em um golpe
Por Caroline Nunes e Marcos Furtado
— Rio de Janeiro
Foto: Freepik
A popularização das ofertas de crédito por empresas em meios digitais abriu espaço para fraudes. Criminosas copiam a identidade visual de grandes marcas para convencer os consumidores de que as propostas são verdadeiras.
— Os golpistas exploram justamente a credibilidade das marcas mais conhecidas. Eles copiam logotipos, identidade visual e perfis em redes sociais para criar mensagens que parecem legítimas — diz Eduardo José de Oliveira Costa, especializado em Responsabilidade Civil e Relações de Consumo e sócio do escritório Lopes Muniz Advogados.
Segundo ele, as tentativas de fraude circulam hoje em nome de bancos digitais, fintechs, plataformas de pagamentos, varejistas e aplicativos de serviços populares:
— O consumidor não pode confiar apenas porque reconheceu a marca na mensagem.
Há sinais que denunciam as armadilhas. O mais evidente é a cobrança antecipada.
— O principal sinal de fraude é a exigência de dados excessivos ou de qualquer pagamento prévio, seja a título de taxa de liberação, seguro ou impostos, para conceder o crédito. Instituições autorizadas e empresas sérias jamais solicitam depósitos antecipados — afirma Luis Fernando Prado, especialista em direito digital proteção de dados e sócio do escritório Prado Vidigal Advogados.
Outro alerta imediato, segundo o advogado, é o pedido de transferência ou Pix para contas de pessoas físicas ou de terceiros. O perigo, porém, começa antes de a pessoa digitar qualquer informação. Basta abrir o endereço enviado.
— O simples ato de clicar no endereço eletrônico pode direcionar o consumidor para páginas maliciosas capazes de capturar dados de conexão, informações do navegador ou executar programas automatizados. Não é preciso preencher formulários para colocar a segurança digital do celular ou do computador em risco — alerta Luis Fernando Prado.
Ao abrir o link, a página falsa consegue rodar programas sem ação do usuário. Eles podem instalar um vírus no aparelho, capturar senhas já salvas no navegador ou dar acesso a contas abertas no celular.
Para o advogado Eduardo José, a proteção passa por três hábitos simples:
— Nunca pague para receber um empréstimo, desconfie da urgência e sempre confirme qualquer oferta diretamente nos canais oficiais da empresa.
Como saber se a proposta é verdadeira
Os números de telefone usados nas abordagens costumam vir de vazamentos.
— Os criminosos utilizam informações obtidas em vazamentos de dados, cadastros compartilhados irregularmente e até invasões de contas de e-mail. O cruzamento dessas informações permite que eles abordem a vítima pelo nome e transmitam uma falsa sensação de legitimidade — explica Costa.
Quem quiser mesmo o empréstimo não deve usar o link recebido.
— O caminho mais seguro é contratar o serviço exclusivamente por meio do site ou do aplicativo oficial da marca — orienta o advogado Luis Fernando Prado.
Se a oferta for verdadeira, ela vai estar disponível na área do cliente dentro do próprio aplicativo ou site. Na dúvida, vale ligar para o atendimento oficial. Também é possível consultar a página do Banco Central para confirmar se a instituição financeira parceira por trás da oferta está autorizada a operar.
Quem cair no golpe deve registrar um boletim de ocorrência, avisar a instituição financeira envolvida e comunicar a empresa cujo nome foi usado. O caso também pode ser levado ao Procon.
Golpes mais praticados
O advogado Eduardo José de Oliveira Costa aponta quais são as fraudes mais praticadas pelos golpistas envolvendo créditos oferecidos por empresas que não fazem parte do sistema financeiro.
- Golpe da ‘Taxa de Liberação’
O golpista entra em contato com a vítima pelo WhatsApp se passando por empresas têm empréstimos entre seus produtos financeiros, ofertando um alto valor de crédito com juros baixos. Durante o contato, o bandido diz que a liberação do montante depende do pagamento de uma taxa de seguro de R$ 250 via Pix. Porém, uma empresa séria e autorizada pelo Banco Central nunca pede pagamento antes de o dinheiro cair.
- Golpe do Link Falso
A vítima recebe um SMS em nome de uma empresa com a mensagem “Você tem R$ 8 mil pré-aprovados. Clique e resgate em 10 minutos”. O link leva para uma página idêntica à da empresa, onde a pessoa coloca CPF, senha, dados do cartão. Com essas informações, o golpista faz empréstimo, acessa conta e até clona o cartão. Em muitos casos, nem é preciso preencher nada: ao clicar no link, o vírus é baixado para o celular.
- Golpe do ‘Crédito Aprovado por Vazamento’
Neste golpe, a vítima recebe uma mensagem informando que ,por causa de um vazamento de dados, o governo supostamente liberou R$ 5 mil para a pessoa por meio de uma empresa. O consumidor é orientado a clicar em um link para sacar o valor. Os golpistas usam o medo e o nome de uma marca grande para induzir a vítima a informar seus dados pessoais e, assim, realizam empréstimos fraudulentos.
- Golpe do Boleto Falso após ‘aprovação’
Nesta modalidade de golpe, a vítima supostamente tem um crédito aprovado em um valor fictício de R$ 15 mil. No entanto, os golpistas enviam um boleto de R$ 600 sob o pretexto de pagamento da primeira parcela de forma antecipada. A vítima acaba pagando um crédito que nunca existiu, pois o boleto era falso.
- Golpe do falso consignado
O criminoso se passa por banco e diz que a vítima tem um consignado pré-aprovado pelo INSS ou pela empresa. Para concluir a suposta operação, pede os dados da pessoa e manda um contrato falso. Ele alega que é necessário depositar a primeira parcela ou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) via Pix para liberar os valores. Mas um consignado verdadeiro não exige depósito.
- Golpe do falso gerente
Nesse golpe, um falso gerente de empresa de telefonia ou de varejo liga dizendo que sua conta está com movimentação suspeita. O criminoso oferece um crédito no formato de seguro para “proteger” a conta e pede que a vítima instale um aplicativo de acesso remoto. Após a instalação, o golpista assume o controle de seu celular, entra no seu banco e faz Pix e empréstimos sem a pessoa ver.





