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Eduardo Bolsonaro articula projeto para direita e Flávio em SP

15 de junho, 2026

Eduardo Bolsonaro articula projeto para direita e Flávio em SP

Nos EUA, ex-deputado se prepara para virar suplente em chapa ao Senado e fortalecer campanha do irmão, mas enfrenta risco jurídico

Por Joelmir Tavares — De São Paulo

Foto: Arquivo pessoal/André do Prado

Radicado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reaproximou-se da política paulista para articular sua pré-candidatura como suplente ao Senado e, ao mesmo tempo, atrair apoios no Estado para a campanha de seu irmão Flávio à Presidência. O envolvimento de Eduardo também está ligado ao plano do PL de ajudar a expandir as bancadas de direita no Congresso.

Apesar do cenário jurídico considerado desfavorável – já que especialistas preveem dificuldades para o registro dele como primeiro suplente -, Eduardo é uma aposta do PL para “turbinar” a candidatura ao Senado, encabeçada por André do Prado (PL), que é deputado estadual e preside a Assembleia Legislativa.

O lançamento da chapa está marcado para sábado (20), num ato em Guarulhos, com a presença anunciada de Flávio e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo Prado, estão sendo avaliadas “as condições técnicas” para uma participação remota de Eduardo, em vídeo. O ex-deputado falou que não pretende retornar ao Brasil para a campanha. Procurado, ele não respondeu. O segundo suplente deve ser Fernando Fiori de Godoy (PL), ex-prefeito de Holambra.

Natural do Rio de Janeiro, Eduardo se elegeu por São Paulo para três mandatos na Câmara dos Deputados e foi cassado em dezembro do ano passado, por excesso de faltas. Nos últimos meses, ele recebeu comitivas de aliados no Texas para conversas sobre a conjuntura local e nacional. Segundo aliados, ele se convenceu a adotar uma postura pragmática. Abriu mão de encabeçar chapa ao Senado, como inicialmente previa, e concordou em apoiar como substituto um político mais ao centro, em vez de um “bolsonarista raiz”.

O nome de Prado – endossado por Tarcísio e pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto – foi defendido sob o argumento de que ele seria capaz de arregimentar prefeitos e vereadores como cabos eleitorais, por sua atuação na Assembleia.

Para o deputado estadual Gil Diniz (PL), aliado de Eduardo e um dos nomes antes cotados para substituí-lo na corrida ao Senado, o ex-deputado deu uma “lição de desprendimento político” ao “deixar de lado ambições pessoais”. A decisão leva em conta o “projeto maior de eleger Flávio”, disse Diniz, um dos convidados das reuniões com Eduardo.

Outro aliado que fez parte das missões aos EUA, o deputado estadual Lucas Bove (PL) afirmou que membros do partido enxergaram “maturidade política” na atitude de Eduardo de “optar por um nome menos ideológico”.

“Eduardo é uma pessoa que sempre trabalhou em grupo e, infelizmente, por conta do exílio, acabou se afastando um pouco e focando seu trabalho nas relações internacionais. Nós que o visitamos e somos o núcleo duro do bolsonarismo entendemos o racional dele na escolha e respeitamos a indicação”, avaliou. Bove disse ainda acreditar em “uma transferência massiva de votos”.

Os três últimos senadores eleitos pelos paulistas precisaram de ao menos 6,5 milhões de votos para conquistar a cadeira. Em sua melhor votação até hoje, Prado recebeu pouco mais de 216 mil votos. Foi em 2022, quando conquistou o quarto mandato estadual. Já Eduardo teve votação em 2022 menor que em 2018. Ele recebeu 741 mil votos, abaixo da marca de 1,8 milhão, que, quatro anos antes, tornou o filho de Bolsonaro o deputado federal mais votado da história do país.

O PL considera que o ex-deputado “está apto” do ponto de vista legal para concorrer, já que a cassação do mandato por faltas não acarretou inelegibilidade. No entanto, Eduardo pode ficar impedido se for condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento, previsto para começar nesta terça (16), sobre coação à Justiça (ver abaixo).

Na avaliação do advogado especializado em direito eleitoral Arthur Rollo, o ex-deputado “não tem condição de registrabilidade” perante a Justiça Eleitoral. “O candidato precisa ter domicílio eleitoral na circunscrição do pleito com anterioridade de pelo menos seis meses. E é fato notório que ele já não pisa em solo brasileiro há mais tempo do que isso, por receio de ser preso ou sofrer medida cautelar”, disse.

Os suplentes se submetem às mesmas regras de registro de candidaturas dos candidatos principais. Um problema com Eduardo poderia obrigar o PL a substituí-lo, ou a chapa como um todo poderá ficar comprometida, segundo especialistas.

Marcos Paulo Jorge de Sousa, coordenador das áreas de direito público e eleitoral do escritório Wilton Gomes Advogados, afirmou que a lei não contém proibição de candidatura de pessoa que esteja residindo fora. “Contudo, entendo que a permanência prolongada nos EUA pode fundamentar ações de impugnação do registro, sob o argumento de perda ou inexistência do domicílio eleitoral em São Paulo”, disse.

https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/06/15/eduardo-bolsonaro-articula-projeto-para-direita-e-flavio-em-sp.ghtml

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