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O peso do apoio de Mendonça e o que muda no STF com a chegada de Jorge Messias
Mais do que colega, Mendonça compartilha com Messias, indicado ao STF por Lula, a religião, e pode ter influência para convencer senadores a aprovar o nome do AGU para a Suprema Corte
Tatiana Azevedo
Brasília
Foto: Reprodução Instagram/ ND Mais
O apoio público do ministro André Mendonça à indicação do hoje Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) não é apenas um ato de gentileza institucional, e representa muito mais que um simples abraço. O gesto tem peso político, jurídico e estratégico, e mostra como a chegada de um novo ministro pode alterar o equilíbrio interno da Corte.
Indicados por governos adversários, mas unidos pela religião, Mendonça e Messias mantêm, nos bastidores, uma relação respeitosa e marcada por interlocução técnica. Para Mendonça, que tenta se afastar da imagem de ministro ideologicamente alinhado ao bolsonarismo, apoiar Messias significa reforçar seu posicionamento como magistrado moderado, com capacidade de diálogo e autonomia em relação às disputas políticas externas ao tribunal.
A proximidade também vem da experiência institucional. Mendonça passou pela Advocacia-Geral da União antes de chegar ao Supremo, e por isso sabe da formação técnica e qualificação da Advocia, ponto crucial para apoiar o futuro novo ministro do STF.
Apoio a Messias se baseia em ‘sólida trajetória jurídica’, explica advogado
Segundo o criminalista Henrique Attuch, do Wilton Gomes Advogados, “o ministro André Mendonça, acertadamente, reconhece o preenchimento de todos os requisitos necessários do AGU para a vaga aberta no STF, não só porque o ministro ocupou a mesma instituição e, portanto, conhece o elevado nível técnico de seus integrantes, mas, sobretudo, pela sólida trajetória jurídica, tanto acadêmica como profissional, de Jorge Messias.”
Na Corte, a chegada de Jorge Messias tende a reforçar o bloco de ministros que valorizam formalidades processuais e cautela institucional, segundo avaliam alguns interlocutores e profifssionais do direito. Messias é visto como alguém capaz de atuar com discrição, firmeza técnica e pouco apetite por embates públicos, caracterísiticas que tem sido mais valorizadas em tempos de polarização e críticas ao STF.
O apoio de Mendonça, que se propôs ainda a tentar “aplacar” os ânimos dos senadores, que ainda terão que aprovar o nome de Messias, que desbancou o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco para a vaga, também parece fundamental para convencer a Casa Alta da capacidade do AGU.
O movimento também produz impacto político imediato. Ao apoiar Messias, Mendonça envia um sinal de normalização institucional, ou seja, um ministro indicado por Jair Bolsonaro reconhece a legitimidade da escolha feita por Luiz Inácio Lula da Silva para completar a composição da Corte, desfalcada com a antecipação da aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
A tendência, porém, é que a sabatina seja “difícil”, diante das críticas de senadores e da resistência do próprio Davi Alcolumbre (União-AP) à indicação de Jorge Messias. Se confirmado, Messias entrará no STF como peça de estabilidade, enquanto Mendonça consolida sua posição como ponte entre diferentes campos jurídicos e políticos. O tabuleiro muda, mas, desta vez, com expectativa de menos ruído e mais previsibilidade.
https://ndmais.com.br/politica/messias-no-stf-apoio-de-mendonca-tende-a-reforcar-indicacao/





