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Governo aumenta imposto de importação: confira possível impacto na sua vida

25 de fevereiro, 2026

Os smartphones estão entre os produtos afetados pelo aumento da alíquota de importação para mais de 1 mil itens. Algumas das mudanças já estão em vigor.

André Luiz Dias Gonçalves

Imagem: Reprodução Apple

O governo federal aumentou, no início de fevereiro, o imposto de importação para mais de 1 mil produtos, medida que atinge principalmente equipamentos industriais e máquinas. Os setores de informática e telecomunicações também foram impactados.

Entre os eletrônicos, os celulares são alguns dos afetados pelas novas regras, que elevaram a taxação de produtos trazidos do exterior em até 7,2 pontos percentuais. Com isso, muitos consumidores se mostraram preocupados diante da possibilidade de aumento de preços.

Por que o imposto de importação subiu?

De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento foi necessário diante da grande dependência de itens vindos do exterior. O órgão destaca que eles representam cerca de 45% do consumo em equipamentos e máquinas.

  • Nas áreas de informática e telecomunicações, os importados são mais de 50%, dados referentes ao final de 2025;
  • Esses níveis elevados de penetração dos bens produzidos em outros países representam uma “ameaça à cadeia produtiva nacional”, segundo o órgão;
  • Para o Ministério, a nova tarifa ajudará a “reequilibrar preços relativos” entre os produtos nacionais e os importados;
  • Assim, acredita-se que a medida estimulará novos investimentos na indústria brasileira.

O governo destacou, também, que a atualização do imposto de importação alinha o Brasil a práticas internacionais, com diferentes países aplicando medidas semelhantes para proteger sua indústria domésticaO aumento entrou em vigor para alguns itens e será ampliado a partir de março.

Apesar da elevação, determinadas exceções foram mantidas, como para os produtos sem fabricação nacional. As solicitações de redução temporária da alíquota poderão ser feitas até 31 de março para os beneficiados anteriormente.

Segundo o g1, o governo prevê um aumento de R$ 14 bilhões na arrecadação com a medida. O valor deve ajudar os cofres público na meta de superávit primário neste ano,

Quais foram os produtos sobretaxados?

Os aumentos do imposto de importação de uma grande cadeia de produtos eletrônicos foi oficializado pela Resolução Nº 852 de 4 de fevereiro de 2026, do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex).

Confira, abaixo, alguns dos mais de 1 mil produtos que terão aumento de taxa de importação a partir de março de 2026:

  • Placa-mãe: novo imposto de 12,6%;
  • Placa de vídeo (GPU): a partir de 12,6%;
  • Processadores (CPU): a partir de 7,2%;
  • Memória RAM estática (SRAM): 7,2%;
  • Circuitos do tipo chipset: 7,2%;
  • Cigarros eletrônicos: 12,6%
  • Câmeras: 20%;
  • Impressoras de tinta líquida: 12,6;
  • Smartphones: 20%;
  • Mouse e track ball: 12,6%;
  • Cartuchos de tinta: 7,2%
  • Cartuchos de revelador (toners): 7,2%
  • Mesas digitalizadoras: 12,6%.

Qual será o impacto nos celulares?

O Ministério da Fazenda classificou o aumento do imposto de importação como uma medida “moderada e focalizada”. Mas segundo o especialista em Tecnologia e Inovação, Arthur Igreja, a mudança será negativa para o mercado de smartphones.

Para ele, os telefones vão ficar mais caros, fazendo os consumidores adiarem a troca de seus dispositivos atuais, optando por continuar com modelos defasados. Assim, o Brasil poderá se afastar da vanguarda tecnológica.

“Toda vez que temos uma elevação tributária, que acontece uma elevação de importação, principalmente, quem perde é o consumidor, quem perde é toda a cadeia que não tem acesso à tecnologia. O Brasil já cansou de sofrer com esse tipo de coisa e a única coisa que isso causa é atraso”, apontou, em conversa com o TecMundo.

A princípio, celulares fabricados no território nacional por marcas como Samsung, Motorola e Realme não devem ser impactados. Representantes de ministérios do governo afirmam taxativamente que por causa da fabricação nacional esses produtos não serão afetados.

Contudo, os smartphones dependem de equipamentos importados para atualizar a linha de produção, o que pode gerar aumentos a médio prazo, segundo Igreja. Ele lembra ainda que o regime em uso no país é o da montagem final.

“É a estratégia adotada em muitas indústrias brasileiras e que na ponta do lápis não faz nenhum sentido. Não dá para dizer que essas marcas estão no Brasil porque elas não têm uma indústria presente no país“, afirmou.

Na outra ponta há marcas de smartphones que não possuem produção nacional e atuam no Brasil importando, como é caso da Honor, que possui parceria com a DL. O TecMundo entrou em contato com a DL para verificar o posicionamento da empresa, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.

Os celulares ficarão quantos % mais caros?

Com a entrada em vigor do aumento do imposto de importação para os produtos contemplados pela medida, espera-se um aumento nos preços de celulares importados entre 15% e 20%. A estimativa é de Julio Garcia Morais, sócio do escritório Lopes Muniz Advogados.

Por essa métrica, é possível dizer que um aparelho que custa R$ 1 mil, poderia passar a custar até R$ 1,2 mil, por exemplo.

De acordo com Muniz, o repasse ao consumidor final dependerá de vários fatores, incluindo os incentivos e alíquotas para cada fabricante. De qualquer forma, a nova taxação da importação pode desestimular o consumo interno, ao mesmo tempo em que incentiva viagens ao exterior para a compra de eletrônicos.

Também criticando o aumento do imposto para a categoria, Morais destacou que não há indústria nacional relevante produzindo celulares, no momento. Por isso, acredita que uma medida protecionista como essa não se aplica ao segmento.

“Na prática, o aumento no preço dos smartphones é indiferente à indústria nacional e prejudica o consumidor que estará pagando muito mais caro pelos aparelhos. O único beneficiado será o governo federal com o aumento da arrecadação”, ressaltou em entrevista ao TecMundo.

Ainda de acordo com ele, a alteração não pode ser considerada uma resposta às tarifas recém-anunciadas por Donald Trump. Além disso, há risco de o governo americano retaliar com uma nova sobretaxa aos produtos brasileiros, aplicando tarifas recíprocas, como destaca Morais.

https://www.tecmundo.com.br/produto/411092-governo-aumenta-imposto-de-importacao-confira-possivel-impacto-na-sua-vida.htm

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