PORTFÓLIO

Funcionária destrói área de café da manhã de hotel e cenas viralizam
Atos teriam sido motivados por demissão, segundo autora dos posts; especialistas avaliam possíveis consequências legais e falhas no processo de desligamento
Por Debora A. Leite
(Foto: Redes sociais)
Uma funcionária de um hotel da rede Marriott em Denver, nos Estados Unidos, foi filmada destruindo parte da área de café da manhã do complexo. De acordo com a autora da postagem, identificada como @letaleja, o episódio teria acontecido após a profissional ter sido informada sobre sua demissão. O caso ganhou repercussão nas redes sociais, especialmente no TikTok, onde os vídeos publicados já ultrapassam 12 milhões de visualizações.
De acordo com a autora da postagem, o episódio começou com uma confusão entre a funcionária e uma supervisora, durante um treinamento. Após o desentendimento, a gerente teria instruído a funcionária a deixar o local. Em seguida, ao questionar na recepção se poderia retornar ao trabalho no dia seguinte, a funcionária foi informada de que estava demitida.
Logo após receber a notícia, a funcionária caminhou até a área onde era servido o café da manhã e começou a derrubar itens como leite, farinha e ovos, que se espalharam pelo chão. Hóspedes presentes no local acompanharam a cena à distância, alguns visivelmente surpresos com a reação.
Em um segundo vídeo, a mulher aparece retornando ao hotel, desta vez para buscar o telefone celular que havia deixado para trás. A gravação gerou reações diversas de usuários, alguns demonstrando empatia diante da situação, outros criticando a atitude.
O Marriott não se pronunciou publicamente sobre o caso até o momento. Não há informações confirmadas sobre medidas administrativas ou legais tomadas contra a ex-funcionária.
Especialistas avaliam: o que aconteceria em um caso semelhante no Brasil?
Segundo Ricardo Christophe da Rocha Freire, advogado trabalhista e sócio do escritório Gasparini, Barbosa e Freire Advogados, uma reação como essa, se ocorresse no Brasil, poderia trazer impactos diretos na rescisão contratual do funcionário.
“Se a funcionária, já comunicada da demissão, causasse danos no ambiente de trabalho, o empregador poderia descontar esses prejuízos das verbas rescisórias”, explica. Além disso, segundo Freire, a empresa poderia reverter a demissão sem justa causa em dispensa por justa causa, a depender da gravidade da conduta.
“Trata-se de um ato grave, ocorrido durante o aviso prévio, que pode justificar a justa causa. Com isso, haveria uma redução significativa no valor a ser pago na rescisão”, afirma.
Offboarding mal conduzido pode gerar conflitos, alerta especialista em RH
Para a especialista em recursos humanos Evelyn Rodrigues, head do escritório Paschoini Advogados, o caso evidencia a importância de um processo estruturado e humanizado de desligamento, conhecido como offboarding.
“O desligamento é um dos momentos mais sensíveis da gestão de pessoas. Quando mal conduzido, pode gerar rupturas emocionais e até situações extremas, como a relatada”, afirma. Para ela, o RH deve atuar de forma ativa e alinhada aos gestores, oferecendo suporte técnico e emocional durante o processo.
Ela destaca que o desligamento não deve ser visto como um simples ato administrativo, mas como parte da jornada do colaborador. “Se conduzido com empatia e respeito, pode preservar relações, evitar conflitos e até abrir caminhos para oportunidades futuras.”
No caso de comportamentos extremos, como o registrado no vídeo, a especialista também aponta que a inteligência emocional se torna um fator crítico. “A reação da ex-funcionária evidencia uma instabilidade marcada pela dificuldade de lidar com frustrações e a ausência de autorregulação emocional.”
Processo de desligamento: boas práticas recomendadas por especialistas
Rodrigues destaca alguns pontos essenciais para minimizar riscos e preservar a imagem institucional:
- Preparação prévia: planejamento da abordagem e medidas preventivas;
- Comunicação empática: conversa respeitosa e objetiva;
- Feedback construtivo: reforço de pontos positivos e aprendizados;
- Apoio à recolocação (outplacement): orientação para transição profissional;
- Comunicação interna cuidadosa: proteção da imagem do ex-colaborador e do clima organizacional;
- Medidas legais, quando necessário: registro e responsabilização em casos de danos.
Segundo a profissional, desligar um colaborador com respeito e estrutura é uma prática que beneficia não apenas o ex-funcionário, mas também a equipe que permanece e a reputação da empresa no mercado.





