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Funcionária avisa que vai levar filho ao médico e resposta da chefe choca internet; especialista comenta
Caso foi compartilhado no Threads; mãe solo teria pedido home office devido à febre de seu filho
Por Bianca Camatta
Foto: Freepik
Uma mãe solo precisou avisar que o filho estava doente, mas recebeu uma resposta pouco solícita de sua gerente. A história foi compartilhada pela mãe da mulher, que publicou o caso no Threads pelo usuário @marie.leona_75. Segundo especialista consultado por PEGN, no Brasil não há uma lei que obrigue liberar colaboradores com filhos doentes, mas respostas ofensivas podem violar direitos trabalhistas.
“Minha filha, que é mãe solo, avisou à gerente que o filho dela está bem doente. Esta foi a resposta. Sério, que tipo de gerente responde assim? Ela não falta só por faltar. E o turno dela nem começa antes das 11h30, vale lembrar”, escreveu a internauta na rede social. Junto, é possível ver a troca de mensagem entre colaboradora e chefe.
A funcionária explica, às 8h34, que o filho está com febre desde o dia anterior. “Toda vez que ela [a febre] baixa, volta de novo, então preciso ficar em casa monitorando”, explicou. Mas a gerente respondeu com apenas uma palavra: “FML”, abreviação de “f** my life”, em tradução livre, “f*** minha vida”.
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Post de Marie Leona no Threads mostra como gerente respondeu à solicitação de sua filha — Foto: Reprodução / Threads
Marie Leona acrescentou na legenda que o turno da filha só começaria às 11h30, o que significa que ela teria avisado com quase três horas de antecedência pela manhã. A usuária ainda chamou o comportamento da chefe de “audacioso”.
Alguns usuários comentaram que a chefe ao menos teria sido sincera, porém outros consideraram a resposta inapropriada. “Vocês são tão estranhos nesses comentários. A gerente dela estava completamente errada por responder daquele jeito. Se você não consegue administrar seus próprios sentimentos e ser profissional, como pode gerenciar funcionários?”, escreveu um internauta.
E se tivesse acontecido no Brasil?
Segundo Bruno Okajima, sócio do escritório Autuori Burmann Advogados, no Brasil não há um direito ao home office em caso de doença do filho, mas a abordagem da gestora, caso tivesse acontecido por aqui, teria sido inadequada. “Do ponto de vista estritamente legal, não existe um direito automático ao home office quando o filho está doente. O teletrabalho depende de previsão contratual ou de ajuste entre empresa e empregado”, esclarece.
Ele acrescenta que o artigo 473 prevê o direito a um dia por ano para acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica, sem desconto de salário. As demais liberações, segundo ele, são fruto de negociação entre empregador e empregado.
Porém, a reação ofensiva viola o dever de respeito e pode ser considerada uma conduta abusiva. “O empregador tem a obrigação legal de assegurar um ambiente de trabalho saudável e seguro sob o ponto de vista emocional, e o gestor, por ser preposto da empresa, atua em nome dela. Assim, ainda que a ofensa tenha sido praticada por um indivíduo, a empresa pode ser responsabilizada pelos danos eventualmente causados”, diz Okajima.
“Deve ser feita a preservação de um ambiente de trabalho respeitoso: cabe à empresa orientar gestores, coibir práticas abusivas, manter canais de denúncia acessíveis e agir com prontidão diante de qualquer relato de conduta inadequada”, diz o advogado.
Segundo ele, mesmo em um episódio isolado, se a ofensa for suficientemente grave, a empresa pode precisar pagar indenização e adotar medidas disciplinares internas para coibir a repetição da conduta.





