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Férias, telas e exposição infantil: como proteger as crianças nesta época do ano

5 de janeiro, 2026

Especialista em Direito Digital e Proteção de Dados alerta e dá dicas de um uso seguro

Gabriela Belchior

Foto: Freepik

As férias escolares são um período de muita diversão para as crianças e de alguns desafios para os pais. A maioria acessa a internet diariamente e com pouca supervisão, o aparelho vai para a viagem, para a mesa do restaurante, para a casa da avó e até para o quarto na hora de dormir. Nas férias, com menos horários e mais liberdade, aquilo que seria um vídeo virou maratona, e um joguinho inocente toma boa parte do dia e muitas vezes sem que os adultos percebam. 

A advogada especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, Antonielle Freitas alerta sobre os cuidados que esse uso frequente exige:

“O que muitos pais e responsáveis não percebem é que, nesse fluxo constante de interações digitais, as crianças não só geram uma quantidade imensa de dados pessoais, mas também têm esses dados coletados de forma massiva por plataformas e aplicativos. E boa parte dessa exposição é alimentada pelos próprios adultos.”

A especialista também explica um termo em inglês que é a junção de compartilhar (share) e parentalidade (parenting). Quando quem expõe na internet é a família, esse hábito recebe um nome: “sharenting”. Antes mesmo de falar, muitos bebês já têm uma vida inteira registrada online: ultrassom, nascimento, primeiros passos, praia, piscina. Nas férias, esse ritmo cresce ainda mais.

De acordo com Antonielle, os pais contam a vida dos filhos na internet, muitas vezes sem refletir sobre o impacto disso no futuro deles.

Essa prática cria riscos reais:

  • Estranhos podem descobrir onde a família está hospedada;
  • Saber por quanto tempo ficará fora de casa;
  • Identificar escola, rotina e locais frequentados;
  • Mapear relações familiares e sociais.

A advogada explica que além disso, há o fator emocional: fotos constrangedoras, cenas íntimas ou momentos delicados que podem gerar desconforto no futuro.

“A legislação prevê cuidado especial com dados de crianças e determina que qualquer tratamento desses dados deve estar vinculado ao melhor interesse da criança e não ao entretenimento dos adultos ou ao engajamento em rede social”, esclarece.

Alertas com telas

Férias também significam instalar novos joguinhos e aplicativos. E, no impulso de “resolver logo”, muitos pais aceitam termos de uso sem ler. Só que, no mundo digital, quase nada é de graça: quando o serviço não cobra dinheiro, costuma cobrar dados.

Aplicativos populares entre crianças frequentemente coletam localização, monitoram hábitos de uso, acessam câmera, microfone e contatos, registram interações e preferências.

Antonielle explica que essas informações permitem montar perfis detalhados de comportamento e interesse desde muito cedo. “Isso alimenta sistemas de recomendação de conteúdo e publicidade direcionada, ainda que, em tese, muitas legislações limitem esse tipo de prática com crianças.”

Dicas para um uso seguro

Para a especialista em direito digital, a solução não é proibir tudo. O que os pais podem fazer, na prática é adotar medidas simples e realistas, como:

  1. Combinar regras de uso
  • Definir horários máximos por dia, adaptados à idade;
  • Estabelecer espaços sem tela: refeições, momentos em família, hora de dormir;
  • Alternar entre atividades online e offline.
  1. Reduzir a exposição nas redes
  • Evitar localização em tempo real;
  • Não mostrar informações sensíveis;
  • Revisar configurações de privacidade
  1. Configurar os dispositivos
  • Ativar controles parentais;
  • Bloquear compras e downloads livres;
  • Revisar permissões concedidas aos apps .
  1. Conversar sobre riscos
  • Explicar que existem pessoas más online.

“A tecnologia faz parte da vida das crianças e isso é ótimo quando usado com equilíbrio. O objetivo não é criar pânico, mas consciência”, conclui Antonielle.

https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/tecnologia/ferias-telas-e-exposicao-infantil-como-proteger-as-criancas-nesta-epoca-do-ano

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