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EUA adiam retomada do ‘tarifaço’, mas ameaçam alianças com o Brics

8 de julho, 2025
Foto: Official White House Photo by Tia Dufour

Os Estados Unidos firmaram acordos tarifários com parte dos países-alvo do “tarifaço” idealizado por Donald Trump desde a campanha eleitoral. Nas ofensivas mais recentes, Trump ameaça ampliar as cobranças sobre qualquer país que se alinhar às políticas do Brics, bloco econômico formado por economias emergentes.

“Tarifaço”

EUA tentam avançar nas negociações bilaterais. O presidente Donald Trump enviou cartas a diversos governos para indicar a taxa que deseja cobrar sobre as importações originadas nos países. O prazo final para o acordo terminaria na próxima quarta-feira, mas foi adiado para agosto.

Extensão das conversas não é descartada. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que os países que não receberem as cartas têm mais três semanas para negociar uma parceria comercial. Luciana Mello, professora de relações internacionais do Centro Universitário IBMR, afirma que a imposição tarifária é incomum nas relações e se assemelha a uma “ameaça”.

“É possível que seja mais um movimento de chamar a atenção e colocar um texto que não sacramenta uma tarifa, mas traz um tom de ameaça e de exercício de poder dos Estados Unidos para levar a negociação de forma mais favorável”.
Luciana Mello, professora de relações internacionais

Taxas voltarão a ser aplicadas em agosto. Após suspender temporariamente, por 90 dias, o “tarifaço” anunciado em abril, a Casa Branca diz ter estimulado as negociações com dezenas de países envolvidos. Inicialmente, as taxas variavam entre 10% e 50%.

Somente dois acordos estão finalizados. Bessent afirma que aguardava uma “chuva” de negociações nos últimos meses. No entanto, apenas os acordos comerciais com o Reino Unido e com o Vietnã foram oficialmente formalizados.

Prazo final para a China foi prolongado. Depois de extensas reuniões em Londres, representantes de Washington e Pequim colocaram um ponto final nos temores de guerra comercial entre as maiores economias do mundo. Assim, um acordo final foi adiado com o aval da China para o fornecimento de terras raras com elementos químicos usados na fabricação de produtos tecnológicos.

Brics na mira

Trump ameaça punir alianças com o Brics. O presidente dos Estados Unidos defendeu a retaliação, com taxas e impostos adicionais, aos países que se associarem às políticas do bloco de economias emergentes formado por 11 países membros e outras dez nações parceiras.

“Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics terá de pagar uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política”.
Donald Trump, presidente dos EUA

Ofensiva de Trump tenta barrar a relevância do Brics. Amina Welten Guerra, professora de direito internacional da UFMG, afirma que o recente ganho de força e expansão do bloco econômico é encarado como uma ameaça para os EUA. “Trump está preocupado com os impactos comerciais das alianças entre os países do grupo, uma vez que os Estados Unidos têm adotado uma política protecionista e antagônica ao multilateralismo. Por outro lado, o Brics vem com um forte impacto rumo a uma nova governança global com natureza pragmática e multilateral”, explica.

Multilateralismo guia os temores de Trump. A manifestação do presidente dos EUA surge após a declaração da 17ª Reunião de Cúpula de Líderes do Brics condenar a imposição de tarifas unilaterais, como as defendidas por Trump desde a campanha eleitoral.

“A proliferação de ações restritivas ao comércio, seja na forma de aumento indiscriminado de tarifas e de medidas não-tarifárias, seja na forma de protecionismo sob o disfarce de objetivos ambientais, ameaça reduzir ainda mais o comércio global”.
Declaração da 17ª Reunião de Cúpula do Brics

Protecionismo de volta ao centro das atenções. A possibilidade de uma moeda única para os países que integram o bloco econômico aumenta a incerteza sobre as relações comerciais com as economias emergentes. “Uma eventual tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos sobre países alinhados ao Brics, incluindo o Brasil, traria consequências relevantes do ponto de vista jurídico-tributário e econômico”, prevê Mary Elbe Queiroz, presidente do Cenapret (Centro Nacional para a Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários).

E o Brasil?

Brasil tenta negociar as tarifas com os EUA. Representantes da Casa Branca teriam ignorado a proposta do Itamaraty para um acordo de cooperação entre os países. Até o momento, a cobrança adicional sobre os produtos nacionais é a mínima imposta, de 10%.

Ausência de acordo abre novos mercados para o Brasil. Mello avalia que a estratégia do governo Trump envolve a tentativa de “tirar vantagem” e, por isso, “vai apertar onde dói” nas relações comerciais. Ainda assim, ela entende que o cenário abre margem para novas parcerias. Os momentos de crise oferecem perspectivas que antes não eram vislumbradas”, afirma.

“[O ‘tarifaço’] pode até impactar a balança comercial em um primeiro momento, mas acho que o Brasil encontra alternativas e quem perde vai ser os Estados Unidos. Com as novas parcerias, mesmo um retrocesso do ‘tarifaço’ pode já não encontrar mais um cenário tão amistoso”.
Luciana Mello, professora de relações internacionais

Tarifas sobre o aço permaneceram vigentes. Ainda persistem as cobranças sobre as importações de aço e alumínio impostas desde o dia 12 de março. A ofensiva foi ampliada com o aumento da taxa de 25% para 50%. Trump classificou a elevação como uma “grande honra” e prevê que a tarifa será benéfica à indústria local.

“É uma grande honra aumentar as tarifas sobre o aço e o alumínio de 25% para 50%. […] Nossas indústrias de aço e alumínio estão voltando como nunca”.
Donald Trump, presidente dos EUA, no Truth Social

Indústria nacional é fortemente atingida pela definição. Dados da Administração de Comércio Internacional dos EUA mostram que o Brasil foi o segundo maior exportador de aço para os EUA, com 3,7 milhões de toneladas métricas no período anual finalizado em fevereiro. O saldo é inferior apenas ao volume destinado pelo Canadá.

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/07/07/tarifaco-de-trump—como-fica-o-brasil.htm

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