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Empresas correm para adaptar sistemas fiscais à reforma tributária em 2026
Adaptação tem imposto desafios técnicos e operacionais, especialmente relacionados à atualização de sistemas, adequação ao novo leiaute fiscal e ao curto prazo de transição
Camila Souza
São Paulo
Imagem: Freepik
A adaptação das empresas brasileiras à reforma tributária tem imposto desafios técnicos e operacionais, especialmente relacionados à atualização de sistemas, adequação ao novo leiaute fiscal e ao curto prazo de transição previsto para 2026.
Um dos principais gargalos, de acordo com o economista Marcello Ponce, sócio da empresa de consultoria EloGroup, é a incorporação dos novos campos do IBS e da CBS nos sistemas de faturamento.
“As empresas vêm enfrentando desafios técnicos para atualizar sistemas de faturamento (ERP, emissores de NF-e e NFS-e) e incorporar os novos campos exigidos nas notas fiscais. Houve necessidade de adequar um volume expressivo de novos campos nos documentos fiscais, exigindo mudanças relevantes de software, integrações e infraestrutura tecnológica”, afirma.
No setor de serviços, a transição para a Nota Fiscal de Serviço eletrônica unificada também trouxe dificuldades. A EloGroup aponta diferenças no ritmo de adesão e na maturidade tecnológica dos municípios, o que resultou, em alguns casos, em instabilidades e lentidão na emissão de notas no início da implantação, demandando maior esforço operacional das empresas.
Para 2026, o principal desafio será consolidar os ajustes em um ambiente de transição. A partir desse período, o preenchimento dos campos de IBS e CBS nos documentos fiscais se tornará obrigatório, ainda sem cobrança dos novos tributos e com caráter orientativo nos primeiros meses. A recomendação é que as empresas utilizem esse intervalo para testar, ajustar e estabilizar sistemas e processos.
Reforma tributária acelera mudanças
Outro ponto de atenção é a necessidade de garantir a continuidade da emissão de documentos fiscais eletrônicos com os novos campos, acompanhando ajustes das plataformas governamentais, especialmente da NFS-e nacional, além de manter diálogo com administrações tributárias locais. Planos de contingência seguem sendo considerados essenciais para mitigar impactos no faturamento em casos de instabilidade sistêmica.
“Mesmo sem impacto financeiro direto em 2026, o cumprimento consistente das novas obrigações acessórias exigirá disciplina. As empresas deverão assegurar o correto preenchimento das informações relativas ao IBS e à CBS e a entrega das declarações associadas, à medida que forem disponibilizadas, mantendo elevados padrões de governança fiscal durante o período de teste”, explica Ponce.
O período também marcará a convivência entre o modelo tributário atual e o novo, exigindo dupla apuração, controles internos robustos e atualização das rotinas de escrituração.
Além disso, é importante o acompanhamento regulatório contínuo, já que alguns temas seguem em detalhamento, como regras específicas para determinados setores e aspectos do Imposto Seletivo. Segundo a EloGroup, a capacidade de monitorar atos normativos e ajustar processos com agilidade será determinante para uma transição segura e bem-sucedida.
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