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Dolly afunda em dívida bilionária e vê recuperação ficar mais distante

3 de julho, 2026

Alexandre Novais Garcia
Do UOL, em São Paulo

Imagem: Reprodução/Facebook

O pedido de recuperação judicial do Grupo Dolly foi extinto em maio após ficar parado por oito anos, abrindo caminho para um pedido de falência com uma dívida fiscal de R$ 15,7 bilhões. Com a mudança na legislação que endureceu as regras para empresas endividadas com o Fisco, especialistas avaliam que uma nova tentativa de reestruturação tem poucas chances de prosperar.

O que aconteceu

O Grupo Dolly desistiu da recuperação judicial após registrar prejuízo milionário. A fabricante de refrigerantes havia feito o pedido em 2018, mas recuou após apresentar um prejuízo líquido de R$ 25,8 milhões em dezembro de 2025. Agora, a empresa tenta negociar diretamente com os credores por meio de uma recuperação extrajudicial.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo pediram a falência da empresa. Os órgãos cobram uma dívida tributária de R$ 15,7 bilhões que a Dolly tem com a União e com o governo paulista.

Nova lei tributária dificulta plano da Dolly

A falta de certidão negativa de débitos tributários deve travar a nova tentativa de acordo da fabricante. Uma mudança na lei em 2020 passou a exigir o documento para a aprovação de planos de recuperação. “A dívida fiscal deixou de ser escanteada nos processos de recuperação judicial”, afirma André Rocha, especialista em gestão de crise. Esse novo cenário reduz significativamente as chances de aprovação de uma nova reestruturação enquanto o passivo fiscal permanecer sem solução.

“Antigamente, as empresas entravam em processo de recuperação judicial, não pagavam o passivo tributário e mesmo assim os juízes homologavam o plano”.
André Rocha

A complexidade do grupo e os recursos da defesa podem atrasar a decisão sobre a falência. Segundo o advogado Luciano Ramos Volk, sócio do Volk & Giffoni Ferreira Advogados, a decisão pode sair em poucos meses após a defesa, mas o histórico de oito anos de processo e a estrutura da empresa podem prolongar o caso.

Dolly continua funcionando após pedido de falência

Dolly vai manter as operações mesmo após o pedido de falência. A manifestação da PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) e da PGE-SP (Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo) não interfere no funcionamento da empresa. O foco da decisão é buscar uma forma de recuperar as perdas causadas pela empresa aos cofres públicos, explica Paula dos Santos Nogueira, do Abe Advogados.

Procuradorias citam preocupação com os funcionários. No comunicado sobre o pedido de falência, os órgãos públicos destacam a “proteção aos colaboradores”. Para isso, defendem a supervisão de um administrador judicial para “garantir a estabilidade dos empregos e permitir que a empresa siga operando de forma saudável, rumo a uma nova gestão que respeite os valores do mercado”.

Manutenção da operação ajuda a preservar massa falida. Mesmo que a conclusão do pedido seja contra a Dolly, André Rocha, especialista em recuperação e gestão de crise, afirma que existe a possibilidade de ser decretada uma “falência continuada” devido à relevância da marca. “Quando o sócio é afastado em falências continuadas, você continua administrando essa massa falida, produzindo até o leilão vender a operação da empresa”, diz.

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/07/02/recuperacao-judicial—grupo-dolly.ghtm

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