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Brasil ganha IBIRA, instituto dedicado ao debate sobre regulação e inovação tecnológica

Luis Fernando Prado, diretor-executivo e fundador do instituto
O Brasil passa a contar com o IBIRA — Instituto Brasileiro de Inovação e Regulação Aplicada, iniciativa voltada à produção de conhecimento técnico sobre regulação da economia digital. O instituto surge com a proposta de qualificar o debate público e contribuir com a formulação de políticas públicas em um momento de intensificação das discussões regulatórias no País.
A criação do IBIRA ocorre em meio ao avanço de propostas legislativas relacionadas à regulação da inteligência artificial (IA), à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e à responsabilização de plataformas. Paralelamente, cresce a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que ganhou status de agência reguladora, ampliando a demanda por análises técnicas capazes de acompanhar a complexidade e a velocidade dessas discussões.
Nesse cenário, o instituto pretende atuar como um centro de produção de conhecimento aplicado, conectando pesquisadores, especialistas do setor produtivo e formuladores de políticas públicas. Entre os temas prioritários estão a governança da inteligência artificial, a proteção de menores no ambiente digital, a economia de plataformas e a cibersegurança.
“O Brasil está no meio de uma janela regulatória que vai redefinir as regras do jogo digital por décadas. O IBIRA nasce da convicção de que quem produz conhecimento sobre regulação precisa estar tão perto da realidade da tecnologia quanto da academia. Nosso compromisso é elevar a qualidade técnica desse debate, com análises que cheguem no tempo e no formato que a discussão pública exige”, afirma Luis Fernando Prado, diretor-executivo e fundador do instituto. Prado é mestre em Direito Digital e Sociedade da Informação pela Universidade de Barcelona, especialista em Propriedade Intelectual e Novos Negócios pela FGV e certificado internacionalmente nas áreas de proteção de dados e governança de IA.
O IBIRA se apresenta como um “do tank”, conceito que busca ir além do modelo tradicional de think tank. A proposta é transformar conhecimento técnico e acadêmico em contribuições práticas para a formulação de políticas públicas, ajudando a evitar regulações inexequíveis ou desconectadas do estado atual da tecnologia.
A iniciativa reúne pesquisadores e especialistas com atuação em setores de alta complexidade regulatória. As análises produzidas pelo instituto combinam rigor acadêmico com linguagem voltada a gestores públicos, empresas e tomadores de decisão.
Para Paulo Vidigal, diretor institucional do IBIRA e professor universitário, a proposta do instituto é reduzir a distância entre diferentes atores do debate regulatório. “No campo digital, existe um distanciamento real entre quem estuda regulação, quem a constrói e quem precisa cumpri-la. O IBIRA nasce para encurtar essa distância e criar um espaço de diálogo técnico entre formuladores de políticas públicas, empresas e pesquisadores”, afirma.
Três frentes de atuação
O instituto estrutura suas atividades em três frentes principais.
Pesquisa aplicada, com produção de artigos, relatórios, notas técnicas e mapeamento de marcos regulatórios nacionais e internacionais.
Inteligência regulatória, dedicada a traduzir dados e análises acadêmicas em conteúdos que apoiem o debate público sobre regulação digital.
Formação executiva, com cursos e workshops voltados a profissionais que precisam compreender os impactos práticos das normas em seus setores de atuação.
“Pesquisa de qualidade não pode terminar na publicação de um artigo. Hoje, o trabalho acadêmico só está completo quando contribui, no formato adequado, para decisões mais sólidas e tecnicamente fundamentadas por parte de empresas, sociedade civil e Estado”, afirma Lucas Morimoto, líder de Operações e Parcerias do IBIRA e doutorando em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
O IBIRA também prevê a realização e coorganização de eventos que reúnam autoridades reguladoras, especialistas do setor privado, acadêmicos e representantes da sociedade civil.





