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Câncer de próstata, doença que matou Scott Adams, é o tumor mais comum entre homens no Brasil; entenda diagnóstico e tratamento

14 de janeiro, 2026

Tipo de câncer costuma evoluir sem sintomas no início e, quando descoberto cedo, tem altas chances de controle

Por Redação g1

Imagem: Reprodução Youtube

O cartunista Scott Adams morreu aos 68 anos em decorrência de um câncer de próstata com metástase óssea, uma forma avançada da doença, que ocorre quando o tumor se espalha para outros órgãos. O caso ilustra a evolução possível de um câncer que, em muitos homens, se desenvolve de forma silenciosa por anos.

No Brasil, o câncer de próstata é o tipo mais comum entre os homens, com exceção dos tumores de pele não melanoma. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam cerca de 71 mil novos diagnósticos por ano, a maioria em homens acima dos 65 anos, faixa etária em que o risco cresce de forma significativa.

O que é o câncer de próstata

A próstata é uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, localizada abaixo da bexiga e responsável pela produção de parte do sêmen. Ao longo da vida, as células desse órgão podem sofrer alterações e passar a se multiplicar de forma desordenada, dando origem ao câncer.

“A maioria dos casos ocorre de forma esporádica, mas há tumores associados a fatores genéticos hereditários”, explica Denis Jardim, líder nacional da especialidade de tumores urológicos da Oncoclínicas.

Segundo ele, mutações em genes como BRCA1 e BRCA2, mais conhecidos pela relação com câncer de mama e ovário, também aumentam o risco para câncer de próstata.

Doença costuma não dar sinais no início

Uma das principais características do câncer de próstata é o fato de não provocar sintomas nas fases iniciais. Quando eles aparecem, geralmente indicam doença mais avançada.

Entre os sinais possíveis estão:

  • dificuldade para urinar;
  • jato urinário fraco;
  • presença de sangue na urina;
  • dor óssea, nos casos em que há metástase.

“Mesmo os tumores mais agressivos não costumam gerar sintomas no começo. Os sinais surgem quando o câncer já ultrapassou a próstata ou se espalhou para outros órgãos”, afirma Alexandre Iscaife, urologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

Foi o que ocorreu com Scott Adams, cujo câncer já havia atingido os ossos —uma das localizações mais comuns das metástases desse tipo de tumor.

Diagnóstico: por que o rastreamento é decisivo

Justamente por ser silenciosa, a doença depende do rastreamento para ser identificada precocemente. Os principais exames são:

  • a dosagem do PSA (antígeno prostático específico), feita por exame de sangue;
  • o exame clínico da próstata, conhecido como toque retal.

De modo geral, médicos recomendam que homens a partir dos 50 anos conversem com seu médico sobre a realização desses exames. Para quem tem histórico familiar, o acompanhamento pode começar mais cedo.

“Quando há suspeita, o diagnóstico é confirmado por biópsia, muitas vezes precedida por ressonância magnética”, explica Denis Jardim.

Tipos de tumor e agressividade

Nem todo câncer de próstata evolui da mesma forma. Segundo Iscaife, os tumores são classificados em:

  • baixo risco;
  • risco intermediário;
  • alto risco, mais agressivos.

“A grande maioria dos casos é de baixo ou médio risco. Os tumores altamente agressivos são minoria, mas, quando diagnosticados, muitas vezes já apresentam metástases”, diz o urologista.

Tratamento depende do estágio da doença

As opções de tratamento variam conforme a agressividade e a extensão do câncer. Nos casos iniciais, pode ser indicado apenas acompanhamento ativo, com consultas e exames periódicos.

Quando necessário, o tratamento pode incluir:

  • cirurgia;
  • radioterapia;
  • bloqueio hormonal, que reduz a ação da testosterona;
  • quimioterapia;
  • radioisótopos, usados especialmente em metástases ósseas.

“O câncer de próstata costuma responder bem ao bloqueio hormonal, o que permite controlar a doença por longos períodos”, explica Denis Jardim.

Os especialistas reforçam que o diagnóstico precoce faz diferença real no prognóstico, permitindo tratamentos menos agressivos e maior sobrevida.

https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/14/cancer-de-prostata-doenca-que-matou-scott-adams-e-o-tumor-mais-comum-entre-homens-no-brasil-entenda-diagnostico-e-tratamento.ghtml

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