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Seu negócio sobreviveria a um incêndio amanhã?
De roubos a alagamentos, especialistas explicam como o seguro se torna uma ferramenta estratégica para garantir estabilidade financeira e continuidade dos negócios
Márcia Rodrigues
(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
Roubos, incêndios, alagamentos e até eventos climáticos extremos – como o mundo tem enfrentado com uma frequência cada vez maior – podem gerar prejuízos capazes de comprometer o caixa ou até inviabilizar a continuidade do negócio. E uma das formas de blindar o patrimônio é com um seguro empresarial.
O QUE É O SEGURO EMPRESARIAL?
O seguro empresarial é um ativo estratégico para proteger o patrimônio de uma empresa de forma abrangente, sintetiza João Batista Angelo, diretor executivo de Produtos, Marketing e Comercial da Zurich Santander.“Elegarante continuidade para o enfrentamento de imprevistos, contribuindo para a segurança financeira, que é primordial para o negócio”, diz.
O seguro compreensivo empresarial (que reúne diferentes ramos ou modalidades de coberturas numa mesma apólice) é o mais comum no mercado, segundo André Pignatari, sócio da Ernesto Tzirulnik Advocacia (ETAD). “Ele protege o patrimônio contra riscos pré-determinados, como incêndio, queda de raio, queda de aeronave e explosão”, destaca.
Helena Chagas, também sócia da ETAD, acrescenta que, além dessa modalidade, existem seguros de responsabilidade civil, riscos operacionais e seguros rurais, dependendo da atividade da empresa.
Uma novidade importante, de acordo com os especialistas, é a Lei de Contrato de Seguro (nº 15.040/2024), que passa a vigorar em dezembro. “A nova lei amplia o escopo das garantias oferecidas. Um seguro de riscos operacionais garantirá, por exemplo, que todos os riscos da operação da empresa, exceto aqueles claramente excluídos, tenham cobertura”, diz Pignatari.
INCÊNDIO, ALAGAMENTO, ROUBO E OUTRAS COBERTURAS
A cobertura básica geralmente inclui incêndios, quedas de raio, aeronaves e explosões. Mas também existem coberturas como proteção contra alagamentos, inundações, danos elétricos, roubos, furtos e desmoronamentos, comenta Helena.
A diversidade permite que cada negócio personalize sua proteção. “É possível contratar coberturas adicionais que se ajustem ao perfil da operação, como lucros cessantes ou seguros financeiros”, destaca Pignatari.
FLUXO DE CAIXA PROTEGIDO
Um dos maiores temores de empresários é a interrupção das atividades por algum motivo. Para isso, existe a cobertura de lucros cessantes, que garante a continuidade do fluxo de caixa mesmo diante de um imprevisto.
Como alerta o diretor do Santander, “se há imprevistos e a empresa não tem um seguro empresarial contratado, o valor do prejuízo será do próprio negócio, podendo impactar diretamente no fluxo de caixa presente e do futuro.”
Há também apólices específicas para seguros financeiros. “Um exemplo é o seguro de crédito, que protege contra inadimplência de fornecedores, garantindo mais estabilidade ao caixa”, afirma o sócio da Ernesto Tzirulnik Advocacia.
Os valores variam conforme o setor, porte e localização da empresa. O ideal é buscar um corretor de confiança para identificar a melhor solução. Mas, como lembra Pignatari, o custo do prêmio é pequeno quando comparado ao potencial de perdas sem proteção.
PORTE DE EMPRESA X SEGURO IDEAL
Empresas menores também podem – e devem – se beneficiar desse tipo de seguro. A escolha da cobertura, no entanto, depende da realidade de cada negócio. “Uma empresa em área de risco de alagamento deve contratar essa proteção. Já um hotel pode incluir cobertura para subtração de valores dos hóspedes”, exemplifica Chagas.
Entre as garantias básicas, a atenção ao limite de indenização para incêndio é considerada essencial, sugere o sócio da ETAD.
ERROS COMUNS DOS EMPRESÁRIOS
Um equívoco frequente é não conhecer quais coberturas foram contratadas. “É preciso observar os limites de cada cobertura. Enquanto o incêndio pode ter indenização de dezenas de milhões de reais, o de alagamento pode corresponder a apenas um décimo desse valor”, explica Chagas.
Por isso, especialistas recomendam avaliar não só a garantia global, mas os limites individuais.
ANÁLISE DE RISCO DEVE SER AMPLA
Para Carlos Portugal Gouvêa, sócio do PGLaw e professor da USP, o seguro tem também um papel estratégico. Muitas empresas dominam sua atividade principal, mas não compreendem os riscos externos. “Uma concessionária de veículos entende de vendas e manutenção, mas não necessariamente dos riscos do imóvel onde está instalada ou da violência na região”, exemplifica Gouvêa.
Segundo Gouvêa, ao contratar um seguro, o empresário passa a ter acesso a informações qualificadas da seguradora, que podem orientar decisões de médio e longo prazo. “O prêmio mais alto indica maior risco, mas também pode servir de alerta para adotar medidas de prevenção, como reforços na estrutura ou estudos do solo”, conta.
O sócio da PGLaw ressalta ainda que o seguro ajuda a isolar riscos fora da especialidade da empresa, permitindo que o empresário mantenha o foco em sua atividade principal. “No longo prazo, isso aumenta a lucratividade.”
FRAUDES, ASSALTOS E NOVOS RISCOS
No Brasil, riscos como fraudes financeiras e assaltos pesam mais do que em outros países, tornando a contratação ainda mais relevante, de acordo com Gouvêa. Existem seguros específicos para esses cenários, assim como para responsabilidade civil de prestadores de serviço e até de administradores de companhias.
“O seguro empresarial é essencial para mitigar riscos desconhecidos e preservar o caixa diante de imprevistos. Sem ele, o empresário assume responsabilidades que podem colocar em xeque o futuro da operação”, diz Gouvêa.
https://fastcompanybrasil.com/money/seguro-empresarial-protecao-financeira-continuidadedos-negocios/





