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3 profissões que surgiram por causa da IA e quanto pagam
Avanço da inteligência artificial favoreceu a criação de 3 profissões. Saiba quais são, quanto pagam e veja análise de especialistas sobre o futuro do mercado com a ascensão da IA
Por Thaisi Carvalho, para o TechTudo
(Imagem: Freepik)
Com a evolução da inteligência artificial, surgem novas funções no mercado de trabalho. Se, por um lado, a IA levanta diversas discussões sobre substituição de empregos, por outro lado, também ajuda a criar novas profissões e oportunidades. Afinal, a popularização de ferramentas de IA, como ChatGPT e Midjourney AI , impulsiona o surgimento de novos postos de trabalho relacionados à tecnologia.
A seguir, o TechTudo mostra três profissões que surgiram ou ganharam força por causa da IA, e explica o que cada profissional faz, em quais áreas atua e quanto pode ganhar. Além disso, convidamos dois especialistas da área de tecnologia para saber se mais profissões vão surgir com o avanço da IA. Confira.
1. Engenheiro de prompt
Engenheiro de prompt é o profissional responsável por criar ou otimizar comandos detalhados, também conhecidos como prompts, visando obter respostas mais precisas das ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini Google, Microsoft Copilot, entre outras. Por exemplo, no dia a dia das empresas, esses profissionais podem desenvolver comandos adequados para orientar as IAs, aumentando as chances de ter respostas satisfatórias e úteis às necessidades daquele momento.
Portanto, os engenheiros de prompt são capazes de analisar e adaptar a linguagem dos comandos com o intuito de otimizar a interação entre pessoas e ferramentas de IA, reduzindo os erros, respostas inadequadas e até mesmo alucinações, quando as IAs inventam alguma informação, por exemplo. Faz parte da rotina destes profissionais refinar e propor melhorias nos comandos, além de testar novos prompts para melhorar as respostas e criar experiências ainda mais eficientes. A área é útil, sobretudo, em empresas que usam IA no atendimento ao cliente, educação e automação de processos.
Segundo sites especializados em carreiras, como Quero Bolsa e DataEX, informam que a faixa salarial de um engenheiro de prompt no começo de carreira é de R$ 4.000 a R$ 6.000. No entanto, isso depende de fatores como região, formação, nível de experiência e tamanho da empresa. Vale mencionar que os engenheiros de prompts também podem elaborar guias de boas práticas para usar IAs, padronizar a linguagem usada nos comandos e integrar os comandos otimizados com outras interfaces das empresas, como sites, apps e chatbots.
2. Especialista em IA para empresas
Já os especialistas em IA são muito procurados por empresas que desejam usar inteligência artificial para automatizar tarefas em diferentes áreas de atuação. Isso porque esses profissionais podem projetar, desenvolver e implementar sistemas. Na prática, eles podem criar e treinar modelos de IA, analisar grandes volumes de dados para tomar decisões estratégicas, integrar IA e sistemas corporativos, buscar inovações para as empresas e muito mais.
Os especialistas em IA podem utilizar várias ferramentas, como a Jasper AI, por exemplo, que possui mais de 100 agentes inteligentes e especializados em executar fluxos de trabalho de marketing. Além disso, possuem versatilidade para atuar em diversos setores, como análise preditiva de epidemias, personalização de tratamentos de saúde, prevenção de fraudes, atendimento ao cliente, otimização de rotas, previsão de demanda, gestão de estoques, entre outras.
Segundo sites especializados em carreira, um especialista em inteligência artificial pode começar ganhando um salário de aproximadamente R$ 8.000. Contudo, é importante ressaltar que o salário depende de outros fatores, como localização, tipo de empresa, tempo de experiência, habilidades e qualificações.
Especialistas em IA usam ferramentas como a Jasper AI para automatizar tarefas — Foto: Reprodução/Thaisi Carvalho
3. Especialista em automação com IA
Por fim, o especialista em automação com IA é um profissional que cria automações para empresas usando inteligência artificial, incluindo chatbots, respostas automáticas e geração de relatórios. Para isso, os profissionais usam ferramentas como Zapier, ChatGPT, Airtable e Cursor para criar protótipos e, depois, transformá-los em sistemas internos para as empresas, ou seja, eles podem atuar em várias áreas, como Recursos Humanos, Vendas, entre outros.
Cabe ao especialista em automação com IA identificar falhas e oportunidades de otimização dos processos, desenvolver fluxos de trabalho automatizados, administrar dados, criar, testar e ajustar protótipos, medir resultados, entre outras atividades. Essas medidas visam oferecer melhorias no dia a dia da empresa, para que os funcionários consigam automatizar tarefas e se concentrar em ações que envolvam criatividade e estratégia.
Por se tratar de uma profissão nova, ainda não há uma média salarial específica para essa área. Contudo, é possível considerar a faixa salarial mencionada no tópico anterior como uma referência, visto que as duas funcionalidades estão voltadas aos profissionais que desejam se especializar no uso de IA para empresas.
Mais profissões vão surgir com a IA?
Como o mercado de trabalho relacionado à inteligência artificial ainda está em crescimento e apresenta muitas chances de expansão, é provável que novas profissões ganhem força ao longo do tempo ao redor do mundo, considerando que novas funções, atividades e demandas devem surgir conforme a tecnologia evolui.
É importante mencionar que muitas dessas profissões ligadas à IA exigem também habilidades digitais e adaptação às novas ferramentas tecnológicas que surgem e vão se tornando mais populares. Ainda vale destacar a importância do letramento em inteligência artificial, com cursos, manuais, monitoramento de novidades e tendências sobre a área.
Para entender as transformações do mercado de trabalho diante da expansão da inteligência artificial, o TechTudo ouviu dois especialistas da área de tecnologia. André Franco, sócio da consultoria EloGroup, explica que é possível organizar as novas profissões em dois grandes grupos.
- O primeiro reúne funções técnicas e estruturais, com tendência de permanência. Aqui entram papéis como AI Engineer e Forward Deployed Engineer, que ganham força nesse novo contexto, além de funções que já existiam e se tornaram mais centrais, como cientistas de dados, engenheiros de dados e engenheiros de machine learning. São profissionais responsáveis por construir, integrar e escalar soluções de IA dentro das empresas.
- O segundo grupo é formado por papéis mais transitórios. Eles surgem como resposta inicial ao avanço da tecnologia, mas tendem a ser incorporados como competência ao longo do tempo. Exemplos são o prompt engineer, o context engineer e o AI trainer. A tendência é que essas habilidades deixem de ser cargos dedicados e passem a fazer parte do repertório de diferentes profissionais.
Segundo Franco, esse movimento reflete uma mudança mais ampla, pois o uso de IA deixa de ser restrito a especialistas e passa a ser uma competência distribuída na organização. Ainda conforme o especialista, com o passar do tempo executivos, áreas de negócio e times técnicos precisarão, em diferentes níveis, saber usar IA no dia a dia, sendo assim fundamental a democratização do uso dessas ferramentas tecnológicas.
Já Paulo Henrique Fernandes, advogado e head de produtos e tecnologia da V+ Tech, avalia que o impacto da IA vai além da criação de novas profissões, passando principalmente pela mudança no tipo de profissional que passa a ser mais valorizado no mercado e na forma como o trabalho é estruturado dentro das empresas.
“A IA está criando novas profissões, mas o ponto mais interessante não é a criação em si. É o tipo de profissional que começa a ganhar relevância. A gente está saindo de um modelo baseado em execução para um modelo baseado em orquestração”, explica.
De acordo com o especialista, novas funções surgem porque existe um vácuo entre o potencial da tecnologia e a capacidade das empresas de transformar isso em resultado concreto, e esse vácuo precisa ser ocupado por gente que entenda ambos os lados.
Fernandes aponta, na prática, que começam a surgir e a se consolidar novos perfis profissionais ligados à inteligência artificial, como o Product Owner ampliado, o curador de IA, o analista orientado por IA e o especialista em governança de IA, impulsionados pela necessidade de integrar tecnologia e estabelecer diretrizes de uso responsável dentro das empresas. Esse movimento, segundo o especialista, reforça que a principal mudança não está apenas nas ferramentas, mas na forma como o trabalho passa a ser organizado e orientado pela inteligência artificial.





